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Métricas de desempenho de uma carteira de criptomoedas

Que métricas de desempenho de uma carteira de criptomoedas devo acompanhar?

O que medem as métricas de desempenho de uma carteira de criptomoedas

As métricas de desempenho de uma carteira de criptomoedas mostram como o valor de um conjunto de ativos se altera, quanto risco o investidor assumiu e se a carteira está a avançar em direção a um objetivo definido. São métricas da carteira como um todo. Não indicam se uma exchange tem livros de ordens com grande liquidez nem se uma determinada operação foi executada corretamente.

Uma análise útil começa com uma pergunta: «Que métricas de desempenho de uma carteira de criptomoedas devo acompanhar» se quiser avaliar o meu plano a longo prazo, em vez de reagir à variação do preço num único dia? Para a maioria dos investidores de longo prazo, as métricas para analisar uma carteira de criptomoedas incluem a rendibilidade, a perda máxima, a volatilidade, o peso de cada ativo e a comparação com um índice de referência adequado. Cada métrica responde a uma pergunta diferente, pelo que um resultado de rendibilidade elevado, por si só, não descreve a carteira por completo.

Imagine que uma carteira valoriza, mas que um único token é responsável pela maior parte dos ganhos. A rendibilidade pode parecer boa, mas a métrica de concentração revela o quanto esse resultado depende de um único ativo. As métricas são úteis quando ajudam a tomar uma decisão concreta, como reequilibrar a carteira ou avaliar se uma queda ultrapassou um limite definido antecipadamente.

Comece por registar a carteira de forma consistente

Escolha uma data de análise e siga a mesma rotina em cada ocasião. Uma análise mensal no último dia do mês é uma opção prática; uma análise trimestral pode ser suficiente para quem raramente faz alterações. Registe a data, a moeda de referência e o método de avaliação. Sem estes dados, pode não ser possível comparar dois registos.

Inclua os ativos detidos em todas as carteiras digitais, exchanges e contas de custódia de que é titular. Uma folha de cálculo pode indicar cada ativo, a respetiva quantidade e o seu valor na moeda de referência, bem como o local onde está guardado. Se fizerem parte do plano de investimento, mantenha também um registo separado das dívidas ou dos fundos emprestados, pois contabilizar apenas os ativos pode sobrestimar o valor líquido da carteira.

Escolha uma moeda de referência, como dólares americanos ou euros, e utilize-a de forma consistente. Se detiver ativos cotados em várias moedas, converta os valores usando sempre a mesma hora ou um fecho diário claramente definido. Os mercados de criptomoedas funcionam 24 horas por dia, pelo que misturar preços registados em momentos diferentes pode dar uma ideia enganadora da variação do valor.

Registe como avalia os ativos cujo preço é difícil de determinar. Um token com pouca atividade de negociação pode não ter um preço fiável num determinado momento; use um método consistente e assinale a incerteza, em vez de apresentar o valor como exato. Se não for possível confirmar a avaliação de um ativo, assinale-o para análise em vez de o omitir sem explicação.

Acompanhe a rendibilidade de acordo com a sua atividade

Se não houver depósitos nem levantamentos durante o período, é simples calcular a rendibilidade entre o início e o fim: subtraia o valor inicial ao valor final e divida o resultado pelo valor inicial. Se uma carteira começa com 10 000 $ e termina com 11 000 $, sem movimentos de dinheiro, a rendibilidade é de 10%. Este exemplo é hipotético, não representa um dado de mercado. Para perceber como calcular a rendibilidade de uma carteira de cripto, comece por identificar se houve depósitos ou levantamentos e escolha um método adequado a esses movimentos.

Os depósitos e levantamentos tornam o cálculo mais complexo. A rendibilidade ponderada pelo tempo divide o desempenho em períodos entre movimentos de dinheiro externos e, depois, combina as rendibilidades desses períodos. Isto permite avaliar o desempenho dos ativos sem que o montante ou o momento de uma contribuição influencie excessivamente o resultado. É um método frequentemente útil para comparar as decisões de gestão de uma carteira ao longo de determinado período.

A rendibilidade ponderada pelo dinheiro tem em conta o montante e o momento dos movimentos de dinheiro. Muitas vezes, é mais adequada para um investidor individual que queira perceber como o seu próprio padrão de contribuições afetou o resultado. Um depósito avultado feito pouco antes de uma subida do mercado pode gerar um resultado pessoal diferente do desempenho ponderado pelo tempo da carteira.

Nenhum dos métodos é universalmente «o correto». Use o método adequado à pergunta, identifique-o claramente e mantenha-o nas análises seguintes. Se comparar o seu resultado com um índice, certifique-se de que ambos abrangem as mesmas datas e contabilizam os movimentos de dinheiro de forma comparável.

Separe a valorização da carteira dos depósitos

Um saldo crescente na conta não significa necessariamente que os investimentos tenham valorizado. As novas contribuições aumentam o saldo; os levantamentos reduzem-no. Registe esses movimentos de dinheiro à parte dos ganhos e perdas dos investimentos, para não confundir o hábito de poupar com o desempenho do mercado.

As transferências entre carteiras digitais de que é titular não são novas contribuições nem levantamentos. Se transferir Bitcoin de uma carteira pessoal para uma conta numa exchange, registe a transferência como um movimento interno, não como uma compra ou um ganho. O mesmo princípio aplica-se ao reorganizar ativos entre plataformas.

Em cada período de análise, registe o valor inicial, os depósitos externos, os levantamentos externos e o valor final. Em seguida, calcule a variação dos investimentos usando um método adequado aos movimentos de dinheiro. Um registo simples desses movimentos evita que um ganho aparente seja inflacionado por uma contribuição feita perto do fim do período.

Uma folha de cálculo prática pode ter uma linha por data e colunas para depósitos, levantamentos, transferências e valor da carteira. Acrescente uma nota quando algum acontecimento importante afetar o registo, como a migração de um token ou o encerramento de uma conta numa exchange. Essa nota pode explicar por que motivo um ativo aparece com um novo nome ou numa nova localização no registo seguinte.

Avalie as perdas máximas e a volatilidade face aos seus próprios limites

A perda máxima mede quanto o valor da carteira caiu entre um pico anterior e um mínimo posterior. Se uma carteira atingir 20 000 $ e, mais tarde, descer para 15 000 $, a queda do pico ao mínimo é de 25%. Trata-se de um cálculo hipotético. Esta métrica descreve a dimensão da perda, mas não indica quanto tempo demorará a recuperação.

A volatilidade descreve quanto variam as rendibilidades durante um período escolhido. Pode ser difícil manter uma carteira com grandes oscilações diárias, mesmo que a rendibilidade a longo prazo seja positiva. Especifique o período e a frequência usados — diários, semanais ou mensais —, pois diferentes dados de entrada podem produzir resultados diferentes.

Compare ambas as métricas com limites definidos antes de uma fase de tensão nos mercados. Por exemplo, um investidor pode decidir rever o plano se a perda máxima ultrapassar um limiar pessoal, em vez de vender automaticamente após uma perda de determinada percentagem. O limiar deve refletir a situação financeira e a tolerância ao risco; não prevê se o mercado vai recuperar ou continuar a cair.

A volatilidade e as perdas máximas passadas descrevem o que aconteceu nos dados analisados. Não permitem prever a próxima queda. Uma carteira que apresentou oscilações moderadas durante um período pode ainda assim sofrer uma descida muito maior, sobretudo se os seus ativos estiverem sujeitos a riscos semelhantes.

Verifique a concentração e o desvio da alocação

O peso de cada ativo indica que parcela da carteira corresponde a cada posição. Divida o valor atual do ativo pelo valor total da carteira e registe o resultado. Se um token representar 60% da carteira, a sua variação de preço terá um grande impacto no total, independentemente do número de outros tokens na lista.

O desvio da alocação mede a diferença entre os pesos atuais e os pesos pretendidos. Se o plano definir um peso-alvo de 50% para um ativo, mas este passar a representar 65% após uma subida, a carteira desviou-se 15 pontos percentuais. O investidor pode então decidir se reequilibra a carteira, mantém a posição ou altera o objetivo por um motivo registado no plano.

Não encare cada alteração como uma ordem para negociar. Dependendo da conta e da jurisdição, o reequilíbrio pode gerar comissões, consequências fiscais e trabalho operacional adicional. Definir uma margem de revisão — por exemplo, analisar um ativo quando o seu peso se afasta do objetivo por uma determinada percentagem — pode tornar as decisões mais ponderadas, mas essa margem deve ser escolhida de acordo com o plano do investidor.

A concentração também pode ser avaliada por categoria, como tokens de camada 1, stablecoins ou ativos associados a um único tema de projeto. Uma carteira pode parecer diversificada pelos nomes dos ativos e, ainda assim, depender de um conjunto restrito de fatores económicos. Registe as categorias utilizadas para que as análises futuras continuem a ser comparáveis.

Escolha um índice de referência adequado à carteira

Um índice de referência serve como ponto de comparação, não como veredicto. Escolha um que se assemelhe à composição de ativos da carteira, abranja as mesmas datas e utilize a mesma moeda de referência. Comparar uma carteira com vários tokens voláteis com um índice amplo do mercado de ações pode dar contexto, mas não mostra se a alocação em criptomoedas foi bem gerida.

Verifique como é calculado o índice de referência. Inclui os mesmos ativos? As rendibilidades são apresentadas na mesma moeda? O período de comparação é idêntico? Se a carteira tiver uma grande alocação em stablecoins, um índice composto apenas por ativos voláteis pode fazê-la parecer menos rentável durante uma subida e mais segura durante uma queda, sem refletir o verdadeiro objetivo do investidor.

Para uma carteira concentrada num único ativo, a rendibilidade desse ativo pode servir de referência direta, embora não tenha em conta os movimentos de dinheiro nem o risco da carteira. Uma carteira diversificada poderá precisar de um índice de referência composto, cujos pesos reflitam a alocação pretendida. Registe o motivo da escolha antes de consultar os resultados; caso contrário, é fácil escolher uma comparação que favoreça o desempenho.

As métricas também dependem da qualidade da informação subjacente. Use uma fonte de preços consistente e, sempre que possível, guarde os registos das transações. Se estiver a avaliar uma conta numa exchange como parte do processo, consulte como verificar se uma exchange de criptomoedas é legítima antes de confiar no histórico apresentado na conta.

Termos relacionados e uma análise hipotética

  • Rendibilidade total: a variação do valor de um investimento ao longo de um período, incluindo os rendimentos ou as distribuições aplicáveis. No caso de uma carteira de criptomoedas, indique como são tratadas as comissões e os movimentos de dinheiro.

  • Rendibilidade ponderada pelo tempo: um cálculo que divide o período em torno dos movimentos de dinheiro externos e combina os resultados, reduzindo o efeito do momento das contribuições.

  • Rendibilidade ponderada pelo dinheiro: uma métrica que tem em conta o montante e o momento dos depósitos e levantamentos, refletindo a experiência do investidor com esses movimentos de dinheiro.

  • Perda máxima: a queda entre um pico anterior da carteira e um mínimo posterior, geralmente expressa como percentagem desse pico.

  • Volatilidade: o grau de variação das rendibilidades durante um período e com uma frequência de medição definidos.

  • Desvio da alocação: a diferença entre os pesos atuais dos ativos e os pesos definidos como objetivo num plano de investimento.

  • Índice de referência: uma carteira, um ativo ou um índice usado para comparar o desempenho ao longo de um período definido.

Exemplo hipotético: Maya regista uma carteira no valor de 12 000 $ no início do mês. A meio do mês, acrescenta 1 000 $ e, depois, o mercado cai; no fim do mês, a conta vale 12 300 $. O saldo é 300 $ superior ao do início, mas Maya não obteve uma rendibilidade de 2,5% sobre o investimento: 1 000 $ vieram da sua contribuição. Regista o depósito como um movimento de dinheiro externo, exclui do cálculo da rendibilidade as transferências entre as suas próprias carteiras digitais e usa um método que tem em conta os movimentos de dinheiro nesse período.

O registo também mostra que o peso de um ativo ultrapassou o objetivo, enquanto a carteira continua abaixo do limiar de perda máxima pessoal que Maya definiu anteriormente. Ela regista ambos os factos, verifica o índice de referência para as mesmas datas e decide se a alocação continua alinhada com o plano antes de fazer qualquer operação. Assim, a decisão seguinte continua a basear-se nos limites definidos, e não apenas no saldo da conta.

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