
Pontos-chave
- A T3 encerrou as atividades no fim de agosto de 2025 após problemas relatados de coordenação e resposta
- A unidade afirmou ter congelado mais de US$ 450 milhões até maio e trabalhado com autoridades em 23 jurisdições
- Mais tarde, a Binance divulgou um roubo de US$ 6,34 bilhões; a Tether e outras partes informaram ter congelado ou apreendido quantias substanciais
Encerramento da T3 antecedeu o roubo recorde da Binance
A Unidade de Crimes Financeiros T3, uma iniciativa que envolvia a Tron, a Tether e a empresa de análise de blockchain TRM Labs, encerrou as atividades no fim de agosto de 2025, segundo pessoas citadas em uma reportagem da Bloomberg. O encerramento não foi anunciado publicamente na época. A unidade fechou cerca de dois meses antes de a Binance divulgar uma perda de US$ 6,34 bilhões decorrente de um roubo em 29 de outubro, o que torna o momento relevante, sem demonstrar que o encerramento da T3 tenha afetado o ataque ou a resposta posterior.
A T3 começou em setembro de 2024 como uma iniciativa público-privada voltada ao uso ilícito da stablecoin USDT da Tether na blockchain Tron. Seu modelo reunia três capacidades: a TRM fornecia inteligência de blockchain, a Tron oferecia visibilidade sobre sua rede e a Tether podia congelar tokens na camada do emissor. Assim, o modelo combinava investigação, informações sobre a rede e a capacidade de restringir o USDT, em vez de concentrar todas essas funções em um único parceiro.
A aliança apresentou a rapidez como um objetivo central. Ao criar um canal comum entre uma empresa de análise de blockchain, uma rede e uma emissora de stablecoin, buscava ajudar a responder a solicitações das autoridades policiais envolvendo fundos suspeitos de atividade ilícita. Em agosto de 2025, a T3 lançou o T3+, um programa para parceiros externos, e anunciou a Binance como seu primeiro membro. As descrições públicas posteriores das empresas enfatizaram o trabalho de combate ao crime, enquanto as dificuldades de coordenação relatadas não foram divulgadas nesses anúncios.
Um modelo conjunto para rastrear e congelar USDT
Em agosto de 2025, a T3 informou que havia congelado mais de US$ 250 milhões em ativos ilícitos em menos de um ano. Segundo a fonte, o esforço conjunto inicial com a Binance envolveu o congelamento de quase US$ 6 milhões ligados a um golpe conhecido como “abate do porco”. Esses números mostram que a parceria avançou para além do anúncio de sua criação e passou a realizar ações específicas de congelamento de ativos, embora não indiquem quanto da atividade coube a cada participante nem como a unidade avaliou sua eficácia geral.
O total divulgado publicamente aumentou após a atualização de agosto. Em fevereiro, quando anunciou uma rodada de financiamento Série C de US$ 70 milhões, a TRM informou que o total de ativos congelados pela T3 ultrapassava US$ 300 milhões. Em maio, a T3 declarou ter congelado mais de US$ 450 milhões e estar trabalhando com autoridades em 23 jurisdições de cinco continentes. O comunicado citou os Estados Unidos, a Espanha, a Alemanha, o Brasil e o Reino Unido entre essas jurisdições e relatou ações rápidas em alguns casos.
O comunicado de maio afirmou que a T3 havia congelado fundos em até 24 horas após solicitações das autoridades policiais relacionadas a invasões de contas e emergências envolvendo crimes violentos. Em orientações de novembro de 2025, o Grupo de Ação Financeira (GAFI) citou a T3 como um dos principais modelos de cooperação entre os setores público e privado na aplicação da lei, segundo a TRM. Esses marcos públicos coexistem com o relato posterior de um encerramento no fim de agosto. A fonte não explica o momento da referência de novembro nem como as orientações citadas trataram uma unidade que já havia encerrado as atividades.
Problemas de coordenação relatados e encerramento das atividades
A reportagem da Bloomberg atribuiu o colapso da T3 ao longo do ano anterior a respostas lentas e à coordenação insuficiente entre seus membros, citando pessoas familiarizadas com o assunto. Uma fonte afirmou que a unidade foi encerrada no fim de agosto. Tron, Tether e TRM confirmaram que a iniciativa havia encerrado as atividades, mas não abordaram os motivos relatados, enquanto a Binance preferiu não comentar. Portanto, as declarações disponíveis confirmam o encerramento, mas não esclarecem o processo interno nem suas causas exatas.
A Tron afirmou que o programa havia sido bem-sucedido e que continuava comprometida em ajudar as autoridades policiais a combater atividades ilícitas em blockchain. Um porta-voz da Tron DAO disse à Bloomberg que a empresa divulgaria posteriormente detalhes de uma nova iniciativa contra o crime. A Tether afirmou que continuaria trabalhando com a TRM para interromper o fluxo de fundos ilícitos e que participava da Beacon Network, da TRM, descrita como uma rede de compartilhamento de inteligência em tempo real lançada em agosto de 2025. A fonte não informa uma data de lançamento para a substituta proposta pela Tron.
A diretora global de políticas públicas e relações governamentais da TRM, Ari Redbord, afirmou que a T3 havia realizado feitos extraordinários e descreveu a Beacon Network como uma iniciativa que dá continuidade a esse trabalho. A Tether também disse que estava trabalhando na Financial Access and Systemic Empowerment Foundation, ou FASE Foundation, anunciada pelo CEO Paolo Ardoino no X em 31 de outubro. Essas iniciativas indicam que as empresas continuam atuando, mas a fonte não comprova que alguma delas recrie a estrutura tripartite da T3 ou ofereça o mesmo caminho direto para congelamentos.
O roubo da Binance põe à prova o valor da coordenação
O encerramento ganhou ainda mais atenção depois que a Binance revelou, em 29 de outubro, que seu prejuízo totalizou US$ 6,34 bilhões. Segundo a fonte, empresas de análise de blockchain associaram o ataque à Coreia do Norte. A cronologia situa o roubo cerca de dois meses após o fim relatado da T3, mas a proximidade das datas, por si só, não demonstra se a aliança teria alterado o roubo, o rastreamento dos ativos ou as medidas tomadas depois. A fonte não descreve qualquer envolvimento da T3 no incidente.
A resposta posterior, ainda assim, ilustra os papéis distintos envolvidos na recuperação de ativos. A Elliptic afirmou que cerca de US$ 220 milhões em TRX roubados tinham passado até então pela Tron, que identificou como uma importante rota de lavagem de dinheiro. A Tether afirmou ter congelado mais de US$ 1,567 bilhão em USDT após o ataque. Separadamente, a CNBC noticiou, citando a Elliptic, que cerca de US$ 2,85 bilhões dos ativos roubados tinham sido congelados ou apreendidos. Estes são números distintos divulgados por diferentes fontes e não devem ser tratados como totais intercambiáveis.
A fonte explica que é a Tether, e não a aliança T3, que tem a capacidade de congelar USDT ao nível do emissor. O valor acrescentado pela T3 foi um canal partilhado pelo qual as autoridades policiais de 23 jurisdições podiam contactar em conjunto o emissor, a blockchain e uma empresa de análise. Continua por esclarecer se a próxima iniciativa da Tron irá restabelecer esse tipo de acordo, que organizações participarão e como irá resolver os problemas de coordenação noticiados. A fonte não fornece detalhes sobre a conceção da solução substituta.
Fonte: BitcoinMagazine





